terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Otis Redding - "(Sittin'On) The Dock Of The Bay"



Como toda a gente já deve saber, morreu o Eusébio! Ouvi a notícia, pela primeira vez, junto do meu pai. Ao longo da minha vida, poucas vezes vi o meu pai chorar. Mas no Domingo parece que todo o País chorou! Nesse dia fomos almoçar, onde vamos às vezes aos Domingos. E o Sr. Carlos que nos costuma servir sempre com aqueles disparates bem dispostos, brincava um pouco, mas de forma forçada. Todas as pessoas almoçavam tristes...
Durante estes dois dias, aprendi tanta coisa sobre o Eusébio... Noutro país qualquer, talvez já se tivesse feito um filme sobre ele, com algumas destas histórias. Foram tantas as revelações!
Isto de elogiar o símbolo maior do clube rival tem muito que se lhe diga. Mas o Eusébio tem uma dimensão difícil de explicar por palavras. Como nos disse o padre Vítor Melícias, citando o jornal espanhol "El País", "Mais do que um desportista, ele torna-se memória e mitologia de um povo".

Eusébio numa loja de discos em Harlow (1968)

Segundo o jornal inglês "Daily Mail", esta foto mostra-nos Eusébio numa loja de discos em Harlow, no ano de 1968, antes da final da Taça dos Clubes Campeões Europeus entre o Benfica e o Manchester United jogada em Wembley. O disco que ele tem na mão é o "(Sittin'On) The Dock Of The Bay" de Otis Redding. O tema que publico é o que dá nome ao álbum.

Otis Redding - "(Sittin'On) The Dock Of The Bay" (1968)
 

sábado, 4 de janeiro de 2014

Mão Morta - "Em Directo (Para a Teelvisão)"



Por falar em Vaneigem no post anterior, apetece-me publicar um vídeo provocador dos Mão Morta, com uma música que pertence ao álbum "Há já muito tempo que nesta latrina o ar se tornou irrespirável" de 1998. A frase que dá nome ao disco é de Vaneigem e vem escrita no tal  texto "Banalidades de Base". Curiosamente trata-se de uma fase menos interessante dos Mão Morta. Gosto muito muito muito muito mais de registos anteriores! Aliás, não tenho este álbum mas tenho todos que o precedem!
O vídeo foi realizado por Nuno Tudela e nele podemos ver um Terreiro do Paço com esculturas do colombiano Fernando Botero! Estávamos no ano de 1998 e a Câmara Municipal de Lisboa com o então Presidente João Soares, ainda se podia dar ao luxo de nos oferecer momentos de Cultura com um gasto considerável e até bastante polémico. Lembro-me de ver e ouvir malta de uma Esquerda da qual eu sempre fui próximo (e ainda sou), dizer cobras e lagartos desta despesa monetária. Era legítimo o protesto, mas eu nunca concordei com ele! Sentia uma magia tão especial ao passar por aquelas esculturas gigantescas na minha Lisboa! Até tenho na parede do meu quarto, desde esta altura, três fotos com estas obras de arte. Só vos mostro duas porque na terceira encontro-me literalmente deitado ao lado de uma gorda escultural de Botero. A frase "Se gostas dos animais não os comas" é um graffiti de Sacavém que se conjuga bem com a foto de Amor explícito e artístico.


Desculpem a qualidade mas é uma foto de uma foto...

Esta é a minha mão à frente da de Botero!

A música do vídeo pertence a este álbum.

Mão Morta - "Há já muito tempo..." (1998) 

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Lali Puna - "Alienation"



Tema que faz parte do álbum "Faking The Books" de 2004 do grupo alemão Lali Puna.
Vídeo realizado por Jaewoo Kim.

Lali Puna - "Faking The Books" (2004)

Em relação ao excerto que publico de seguida, convém dizer o seguinte. Nunca fui grande apreciador de Vaneigem, porque muito do que ele escreveu está próximo de uma arrogância que me irrita um bocadinho. Contudo, há pedaços de texto que são de um brilhantismo inequívoco. Este é um desses casos.

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"É preciso compreender o papel da alienação como condição de sobrevivência neste contexto social. O trabalho dos não-possuidores obedece às mesmas contradições que o direito de apropriação particular. Transforma-os em possuídos, fabricantes de apropriação e autores da sua própria exclusão, mas representa para os escravos, os servos, os trabalhadores, a única hipótese de sobrevivência, embora a actividade que faz durar a existência retirando-lhe todo o conteúdo acabe por adquirir um sentido positivo mediante inversão óptica compreensível mas sinistra."
Raoul Vaneigem, "Banalidades de Base" (1963)

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Rhye - "The Fall"



Tema que faz parte do álbum "Woman" de 2013.

Rhye - "Woman" (2013)
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"e assim, para passar o tempo, habituara-se a rastejar pelas paredes e pelo tecto, de um lado para o outro. Agradava-lhe especialmente ficar pendurado lá em cima, no tecto; era completamente diferente de estar no chão; respirava-se mais à vontade; um ligeiro balançar percorria-lhe o corpo; e naquele alheamento quase feliz que o envolvia, lá em cima, podia acontecer que, para sua própria surpresa, se despegasse do tecto e viesse estatelar-se no chão. Só que agora ele tinha um domínio muito maior sobre o corpo, como é evidente, e nem mesmo uma queda dessa natureza lhe causava dano."
                                                    Franz Kafka, "A Metamorfose" (1915)

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Pink Martini - "But Now I'm Back"



Para começar bem o ano, um tema delicioso dos Pink Martini. Faz parte do álbum "Splendor in the grass" de 2009. Nas imagens aparece uma das minhas actrizes, Judy Garland.
Curiosamente, o nome deste álbum também é nome de um dos meus filmes preferidos.

BOM ANO 2014 !!!

beijos & abraços!

Pink Martini - "Splendor in the grass" (2009)

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

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"(...). A diferença é que nas pessoas livres as paixões são prolongamentos do desejo que nos faz gostar de nós aos olhos de alguém (...)."
Victor Cunha Rego, "Os Dias de Amanhã"

Bom Ano 2014!

beijos & abraços!

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    "Voltar assim sem bagagem, sem nada trazer dos meus pertences, já estava à espera de ser recebido com o rolo da massa... Nada disso!... Pareciam todos contentes, os meus velhos, todos felizes que eles pareciam, de me ver chegar... Só ficaram surpreendidos por eu não trazer uma única camisa, um único peúgo, mas não insistiram... Não fizeram nenhuma cena... Estavam demasiado absortos nas suas próprias preocupações...
     Tinham mudado muito, de porte e de aparência, desde que eu partira, há oito meses atrás, achava-os encarquilhados, o rosto engelhado, o andar hesitante..."
                                            Céline, "Morte a Crédito" (1936)

Os velhos encarquilhados são vocês, sou eu, somos todos nós, passados oito meses, mesmo sendo jovens.