sexta-feira, 4 de maio de 2012

Eagles of Death Metal - "I Want You So Hard"



Porque é Sexta-Feira, Rock and Roll a abrir caminho para uma energia de que necessito.
Como podem reparar, Joshua Homme, vocalista dos Queens of the Stone Age, aparece aqui a tocar bateria. Trata-se de um projecto paralelo de Joshua onde ocasionalmente troca as guitarras pelas baquetas.
Tema que faz parte do álbum "Death by Sexy..." de 2006. Álbum produzido pelo próprio Joshua.

Eagles of Death Metal - "Death by Sexy..." (2006)
 

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Nina Simone - "Revolution"



Olhem, isto é um desespero silencioso, mais do que universal. Ou talvez tenha um pouco das estruturas portuguesas, difíceis de perceber... Seja como for, é ridículo, visto pelos olhos imbecis de quem só percebe o poder do seu umbigo. Para esses imbecis não aconselho que continuem por aqui. Eles nunca perceberão! (olhem, cá só para nós é que vale a pena, por enquanto, visto que vocês [os imbecis!!!] não sabem se comportar). É tão parvo este post, não é?! Mas tem o intuito de saber quem está do nosso lado! É só isso! Que se f.... os imbecis! Não vos suporto!!! Beijos & Abraços! E já agora, muitas revoluções na mente!

Fernando Lopes (1935-2012)

Fotografia de Jorge Simão
Morreu o Realizador de Cinema Fernando Lopes.
Fernando Lopes juntamente com Paulo Rocha, António de Macedo, Cunha Telles, Fonseca e Costa, António Pedro Vasconcelos, João César Monteiro, Seixas Santos, entre outros, foram a nova vaga do Cinema Português. Inventaram um Cinema Novo, propondo um corte radical com o passado. Alguns deles conspiravam contra o regime à mesa da pastelaria VáVá. Uma dessas primeiras obras que inauguram este movimento, é "Os Verdes Anos"(1963) do Paulo Rocha. E é para mim um dos filmes mais belos de sempre! "Belarmino"(1964) de Fernando Lopes é também uma dessas obras inaugurais. Segundo o próprio realizador é um documentário ficcional sobre Belarmino Fragoso, 32 anos, pugilista (ou "boxeiro", como ele diz), ex-campeão nacional disposto "a levar porrada - para dar já não posso, não tenho idade". Destaco nesta obra as belíssimas imagens do antigo Estádio José Alvalade nos anos 60, antes da bancada nova e onde podemos ver Belarmino correr. São bem visíveis as dificuldades económicas de Belarmino, com as quais certamente muitos portugueses se identificavam. Refiro também "Uma Abelha na Chuva" (1972), filme que adapta o belíssimo livro homónimo de Carlos de Oliveira. Também filmado a preto e branco como "Belarmino", faz uso da repetição, da dessincronização da montagem sonora e da fotografia, como elementos fundamentais para a compreensão do todo e como partes indissociáveis da narrativa. A propósito disto, Fernando Lopes disse o seguinte : "Há duas possibilidades num filme. Uma é a imagem. Outra é o som. Posso estar a contar uma história na imagem e contar outra no som, como fiz na 'Abelha...'" Mas a obra que mais me fascina no universo do Lopes é o "Nós por cá todos bem"(1977). Por um lado, a obra integra-se num projecto que era o de realizarem os cineastas portugueses um "Museu da Imagem e do Som" que registasse de um ponto de vista etnográfico e documental a vida da província e dos meios rurais. Por outro lado, a película contém cenas ficcionadas que se se subdividem em registos variados. Uma dessas sequências é a do poema "Coro das criadas de servir" de O'Neill, musicado por Sérgio Godinho (momento de Cinema Musical belíssimo). Ainda em relação aos momentos ficcionados, torna-se inesquecível a parte da Lia Gama enquanto prostituta a iniciar o rapaz que o pai leva ao bordel. A articulação de um projecto quase etnográfico com um projecto de Cinema ficcionado, não cai bem na crítica da altura. O que para mim é um ponto assente é que a alegada quebra de unidade de "Nós por cá todos bem" nem sequer se coloca como questão relevante para apreciações menos abonatórias. Pelo contrário, é isso precisamente que confere a esta obra uma originalidade e uma importância subversiva na História do Cinema Português. Por último, ainda em relação a esta obra, a forma como dá a imagem e som da sua própria elaboração, o Cinema dentro do Cinema, faz lembrar de imediato Godard! Outro filme com o qual simpatizo consideravelmente, é "O Delfim"(2002), baseado no fantástico livro homónimo de José Cardoso Pires. Mas convém salientar que tanto no caso de "Uma Abelha na Chuva" como de "O Delfim", eu gostei mais do livro... Depois de 2002 não vi mais nenhuma obra do Fernando Lopes, por isso não posso falar desse período. Fui-me afastando do Cinema e ainda não voltei...
Lembro-me de ver o Sr. Lopes por Lisboa, várias vezes. Sempre sozinho. Uma vez, enquanto bebia a minha cerveja num café/restaurante da Rua Actor Taborda (salvo o erro), e enquanto lia um livro de poesia... Sim, algumas vezes quando eu bebia sozinho, lia livros de poesia... Ele, o Sr. Lopes estava sentado ao balcão sem que eu desse por isso imediatamente. Reparei que tinha aparelho auditivo, o que me confirmou um facto malévolo nalguns cinéfilos mais acérrimos da minha querida Cinemateca. Não tive coragem de meter conversa com ele, mas surpreendeu-me que bebesse uma cerveja como eu...

quarta-feira, 2 de maio de 2012

The Magnetic Fields - "I Looked All Over Town"



Hoje há The Magnetic Fields no Teatro Maria Matos. Mas está esgotado e por isso não vou.
O tema faz parte do álbum "i" de 2004. Este vídeo e esta música são muito interessantes...

Ilustração de Alice Rutherford

The Magnetic Fields - "i" (2004)

Thomas Marth (1978-2012)



No passado dia 23 de Abril, Thomas Marth, saxofonista que tocava com os The Killers, ter-se-á suicidado com um tiro na cabeça. Tinha 33 anos. Neste concerto no Royal Albert Hall podemos vê-lo em acção com os The Killers. "Joy Ride" pertence ao álbum "Day & Age" de 2008.

The Killers "Day & Age" (2008)

terça-feira, 1 de maio de 2012

1º de Maio!



 O SORRISO

Creio que foi o sorriso, 
o sorriso foi quem abriu a porta.
Era um sorriso com muita luz
lá dentro, apetecia
entrar nele, tirar a roupa, ficar
nu dentro daquele sorriso.
Correr, navegar, morrer naquele sorriso.

                                  Eugénio de Andrade
  
Sim, não se trata do sorriso do Miguel no post anterior.
É um sorriso feminino. Um sorriso que não esqueço, porque é a minha Utopia. Quando já pensava que não era possível. Eu quero acreditar que a porta está entreaberta, porque mesmo nessa nesga há tanta luz como nunca vi. Eu quero que essa porta se vá abrindo sem medos... e sem pressas. Afinal de contas, são apenas partilhas, sublimes. E eu não quero deitar isso fora.

Participem!!!
 A Luta continua!
Beijos & Abraços!

Miguel Portas (1958-2012)



Fotografia de Paulete Matos
 Como se sabe, Miguel Portas morreu no dia 24 de Abril. Faria anos, hoje.
Há dois anos detectaram-lhe um cancro. Foi operado em Maio de 2010, sendo removido um terço do pulmão direito. Por causa da doença, e por influência do livro "Anticancer: A New Way of Life" do neurocientista e psiquiatra francês David Servan-Schreiber, o Miguel mudou o estilo de vida e o esquema de alimentação. Passou a comer predominantemente produtos biológicos, sem químicos.
O que poderei eu dizer do Miguel? Duas ou três curiosidades, talvez.
Antes de ele ir para o Parlamento Europeu, lembro-me de o encontrar algumas vezes nas salas de Cinema que frequentava. Lembro-me de ele se rir com uma t'shirt que eu vestia, com uma tira da Mafaldinha do Quino. É conhecida a enooorme paixão que ele tinha por Banda Desenhada. Quem me dera ter metade da tua colecção, Miguel. Antes disso, lembro-me do semanário Já. Um Jornal com um grafismo e um conteúdo inovadores. Um Jornal assumidamente de Esquerda, para toda a gente. Lembro-me de o ir buscar à borla ao ISCTE, onde estudava um dos meus melhores amigos. O Jornal estava ali disponível para quem o quisesse levar para casa, gratuitamente. Até havia edições mais antigas. Esse meu amigo que era laranjinha (politicamente falando), também lia aquela novidade editorial na imprensa portuguesa.

"Terra e Liberdade" - Ken Loach (1995)

 Por causa deste jornal, também me lembrei de um texto que o Miguel escreveu sobre o filme "Terra e Liberdade" (1995), na altura em que a obra de Ken Loach estreou por cá. Andei à procura desse texto cá por casa e não o encontrei... mas sei que o Miguel até nem simpatizou assim tanto com o filme como eu. Bem pelo contrário. Esse texto do Miguel dava uma visão da Guerra Civil de Espanha (1936-1939) que se aproximava mais das suas raízes doutrinárias do PCP (se a memória não me atraiçoa, visto que não pude confirmar tal facto). Pois bem, eu amo o "Terra e Liberdade", e o filme dá uma visão deste período da História, com a qual eu me identifico. Nessa altura, a estreia do filme suscitou vários textos e debates muito interessantes. Fui, por exemplo, a um debate organizado por anarquistas na sala do Teatro O Bando, com militantes bastante antigos e outros bastante novos, para discutirmos livremente sobre a Guerra Civil de Espanha e o filme de Ken Loach. É um filme marcante para mim! Trata de um período histórico que eu acho fascinante, e esta obra motivou que eu começasse a ir ao Cinema mais regularmente. Há um Hugo antes e um Hugo depois de "Terra e Liberdade". E já havia lido algumas obras marcantes sobre esse período ou as publicações de imprensa que surgiam a abordar o tema. Depois tive como Professor, um Historiador que também era fascinado pela última Guerra Romântica, como ele dizia... O saudoso César Oliveira.
Voltando ao Miguel, não deixa de ser muito curioso que o Comité de Solidariedade com a Palestina, se refira ao desaparecimento do Miguel citando este filme... Num texto intitulado "Até sempre, Miguel Portas", eles dizem o seguinte:

"No filme clássico de Ken Loach sobre a guerra civil de Espanha, um antigo combatente da milícia do POUM é sepultado pela sua neta, muitos anos depois da derrota, com um punhado de terra - terra colectivizada, que tinha guardado durante toda a vida, para recordar as esperanças luminosas da revolução nos seus primeiros tempos.
Nós, do Comité de Solidariedade com a Palestina, gostaríamos de ter trazido para a despedida de Miguel Portas um punhado da terra libertada da Palestina. Sabemos que poucas pessoas se têm empenhado tanto como Miguel Portas na causa dos direitos humanos, sociais e nacionais do povo palestiniano. Não foi por acaso que muitos dos parlamentares doutros países europeus, ao evocarem MP, colocavam a causa palestiniana à cabeça dos grandes combates em que ele se empenhou.
Não pudemos trazer um punhado de terra palestiniana libertada, porque isso nunca existiu. Mas, ao contrário de um combatente de Espanha, que apenas podia guardar a recordação dum momento longínquo de esperança, o punhado de terra pelo qual lutou MP, pelo qual queremos continuar a luta, pertence ao futuro.
Até esse futuro, até sempre, companheiro Miguel Portas!"

Refiro também a revista "Vida Mundial" com a qual também aprendi, e que também me habituei a ler.

O vídeo é dos Beirut, porque é um dos poucos grupos novos de que ele gostava. E ainda por cima, é uma banda norte-americana com nome de cidade que ele adorava e que visitava regularmente. Grupo de rua, como ele lhe chamava, que o Miguel ouvia no carro e em casa.
As pessoas que aparecem no vídeo não são os Beirut, mas a música linda é deles.
Tema que faz parte do álbum "The Flying Club Cup" de 2007 (o tal ano louco...).

Beirut - "The Flying Club Cup" (2007)
 E para terminar, nada melhor que recordar o admirável sorriso do Miguel!

Foto de Paulo Petronilho
Abraço, Miguel.