terça-feira, 26 de março de 2013

Bebo Valdés (1918-2013)



O pianista cubano Bebo Valdés morreu no passado dia 22 de Março em Estocolmo. Neste vídeo que publico, podemos ouvir um pouco da magia e da técnica deste mago do piano (não são as "Lágrimas Negras" referidas no título...). A Revolução Cubana de 1959, a que ele não quis aderir, fez com que procurasse, nos anos seguintes, uma vida fora da Ilha Castrista. Não terá sido fácil, até porque durante três décadas viveu discretamente, tocando em bares de hotéis de Estocolmo. Voltou apenas a gravar já nos anos 90, por causa de Paquito D' Rivera. No princípio deste século, o realizador de Cinema Fernando Trueba resgatou-o finalmente para a ribalta da qual ele esteve afastado tanto tempo.
O sítio para onde Bebo Valdés terá ido agora, certamente terá um piano à sua espera, para que a magia do som resultante dos dedos que dançam, já não esteja dependente de desvirtuadas políticas que excluem, determinadas ondas sonoras, por razões muito pouco musicais. Como sabem, sou de Esquerda, mas isso nunca me impediu de ter uma visão crítica em relação a tudo o que se passa à minha volta. E nestas questões de inclusões e exclusões, tenho sempre algo a dizer.

The Strokes - "All The Time"



Hoje é dia especial! Um dos meus grupos preferidos preferidos preferidos, edita hoje o novo álbum "Comedown Machine". Para aperitivo já há "All The Time" com vídeo ainda quentinho.
Eu vi os Strokes nas duas vezes que cá vieram! Vi-os em 2006 e vi-os em 2011. Vejam lá rapazes se aparecem por cá este ano!

The Strokes - "All The Time" (single) (2013)

The Strokes - "Comedown Machine" (2013)

The Dead Pirates - "Wood"



Ainda esticando a lógica literária que me levou a publicar excertos de Luis Sepúlveda e Gabriel García Márquez, refiro que, por cá, há uma escritora que eu encaixo na mesma família estilística. Se não me falha a memória, dela apenas li o fantástico "Insânia" de 1996. Falo, evidentemente, de Hélia Correia. Lembro-me de a ver, por vezes, nas salas de Teatro onde eu também ia, quando ainda assistia a essa Arte sublime. Que saudades tenho eu de ir ao Teatro, meu Deus! É melhor não pensar nisso, agora...

Este tema dos Dead Pirates pertence ao EP "Malevolent Melody" de 2010.
O vídeo é autoria de Mcbess & Simon.

The Dead Pirates - "Malevolent Melody" (EP) (2010)
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  "Jamais se abriu Talívio sobre o assunto. Pusera o seu empenho nas palavras e, atraiçoado, foi para as mãos que se virou. Achou refúgio num lagar que transformou numa oficina de carpintaria. E aplicou-se a lutar com a madeira, que, ao contrário de tudo o resto, era abundante, ainda que lassa e muito esquiva às ferramentas.
  Na solidão moía os seus despeitos. Quem espreitasse, veria como a fúria dos pensamentos lhe escorria até aos dedos. Dizia-se que o vento, voltejando nas telhas descobertas, levantava o poder dos espíritos do vinho que, muitos anos antes, outro vento impregnara na própria construção. O carpinteiro não gostava de álcool, mas a intoxicação por ideais parecia semelhante à da bebida. Também ele começara por falar alto em público para depois, humilhado, se esconder."
Hélia Correia, "Insânia", 1996

segunda-feira, 25 de março de 2013

The Clash - "Straight to Hell"



Por razões óbvias relacionadas com o tema de M.I.A. que publico no post anterior, aqui está o "Straight to Hell" dos grandes Clash! Tema que faz parte do álbum "Combat Rock" de 1982.

The Clash - "Straight to Hell" (single) (1982)

The Clash - "Combat Rock" (1982)


M.I.A. - "Paper Planes"



Vídeo realizado por Bernard Gourley.
Tema que faz parte do álbum "Kala" de 2007.
O excerto de Gabriel García Márquez que publico neste post, fez-me lembrar este tema delicioso de M.I.A.!

M.I.A. - "Paper Planes" (single) (2007)

M.I.A. - "Kala" (2007)
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"Uma droga mais daninha do que as chamadas 'duras' introduziu-se na cultura nacional: o dinheiro fácil. Prosperou a ideia de que a lei é o maior obstáculo para a felicidade, que de nada serve aprender a ler e a escrever, que se vive melhor e mais seguro como delinquente do que como gente de bem. Em síntese: o estado de perversão social próprio de toda a guerra larvar."
Gabriel García Márquez, "Notícia de um sequestro", 1996 

domingo, 24 de março de 2013

Steppenwolf - "Magic Carpet Ride"



Como referi o chileno Luis Sepúlveda nos posts anteriores, apetece-me transcrever excertos de um escritor que considero da mesma família literária. O colombiano Gabriel García Márquez fascinou-me por completo com o seu "Cem Anos de Solidão". Trata-se de uma das obras mais mágicas que li ao longo da minha vida de leitor. É um dos livros mais influentes da História da Literatura, e tal como Sepúlveda me faz lembrar um pouco García Márquez, existem um cem número de escritores que parecem ter ido beber à magia do colombiano.
Por causa do excerto que publico neste post, lembrei-me desta música dos Steppenwolf. Faz parte do álbum " The Second" de 1968.

Steppenwolf - "The Second" (1968)
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"Úrsula tinha acabado de cumprir o seu repouso de quarenta dias quando chegaram os ciganos. Eram os mesmos saltimbancos e malabaristas que haviam trazido o gelo. Ao contrário da tribo de Mequíades, tinham  demonstrado em pouco tempo que não eram arautos do progresso mas bufarinheiros de diversões. Mesmo quando trouxeram o gelo, não o anunciaram em função da sua utilidade para a vida dos homens mas como uma mera curiosidade de circo. Desta vez, entre muitos outros jogos de artifícios, traziam um tapete voador. Mas não o ofereceram como uma contribuição fundamental para o desenvolvimento do transporte, mas como um objecto de divertimento. Claro está que as pessoas desenterraram os seus últimos pedacinhos de ouro para usufruírem dum voo fugaz sobre as casas da aldeia. Amparados pela deliciosa impunidade da desordem colectiva, José Arcadio e Pilar viveram horas de desafogo. Foram dois namorados felizes entre a multidão, e chegaram até a suspeitar que o amor podia ser um sentimento mais repousado e profundo que a felicidade desaforada, mas momentânea, das suas noites secretas."
Gabriel García Márquez, "Cem Anos de Solidão", 1967

terça-feira, 19 de março de 2013

Kris Kristofferson - "Sandinista"



Como publiquei no post anterior um texto de Luis Sepúlveda acerca do Papa Francisco, convém referir que os livros que li deste autor, me marcaram. Por exemplo em "Nome de Toureiro", é evidente a influência da sua própria vida, em tudo o que ele descreve. Ele pertenceu à Brigada Simon Bolívar, que lutou ao lado dos Sandinistas na Nicarágua. Essa Brigada é parte integrante da história fascinante de "Nome de Toureiro". Já escrevi sobre os Sandinistas num post antigo com música dos Censurados... Por isso não me vou repetir.
Dedico este tema de Kris Kristofferson a Luis Sepúlveda, porque ele me proporciona um universo literário mais rico e muito original. Tema que faz parte do álbum "Third World Warrior" de 1990.

Kris Kristofferson - "Third World Warrior" (1990)
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"O velho Franz levou uns bons anos a quebrar a resistência da viúva e quando, por fim, numa curta noite de Verão, conseguiu ser aceite entre os seus lençóis, descobriram os dois que as suas vidas estavam excessivamente impregnadas de recordações que obrigam ao silêncio e que a única coisa que podiam fazer juntos era tentar construir recordações novas, limpas da infecção da distância e que, quando se conseguem, oferecem o mais cálido dos amparos. Como isso leva tempo, decidiram-se por uma relação entre gringo sozinho e governanta a viver fora, o que a mulher legitimava tratando-o invariavelmente por senhor."
Luis Sepúlveda, "Nome de Toureiro", 1994.

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"O Rosário, de Florence Barclay, continha amor, amor por todos os lados. As personagens sofriam e misturavam a sorte com os sofrimentos de uma maneira tão bela que se lhe embaciava a lupa de lágrimas.
A professora, não de todo de acordo com as suas preferências de leitor, permitiu-lhe que levasse o livro, e com ele regressou a El Idilio para o ler mil e uma vezes diante da janela, tal como se dispunha agora a fazer com os romances que o dentista lhe trouxera, livros que esperavam insinuantes e horizontais em cima da mesa alta, alheios à desordenada olhadela a um passado em que António José Bolívar Proaño preferia não pensar, deixando os poços da memória abertos, para os encher com as venturas e os tormentos de amores mais prolongados que o tempo."
Luis Sepúlveda, "O Velho que Lia Romances de Amor", 1989.