sábado, 16 de março de 2013

Charlie Brown Jr. - "Hoje eu acordei feliz"



Entrando na necrologia que estava pendente pela falta de tempo e outras razões que não vêm à discussão, falta-me referir que morreu no passado dia 6 de Março, Alexandre Magno Abrão, mais conhecido por Chorão, vocalista da banda Charlie Brown Jr. Nunca fui apreciador da dita, mas revejo em alguns temas, como este que publico, uma réstia de punk mais ou menos interessante, e digna de divulgação. Esta identificação já é longínqua e demonstra parte de um percurso que foi abandonado há muito. Mesmo assim, como gosto muito deste tema, não podia deixar de referir o desaparecimento deste músico brasileiro. Ainda para mais, porque, aparentemente, se trata de um suicídio. Tenho uma história curiosa que tem a ver com uma música deste grupo, mas vou guardá-la para um post futuro.
Os desenhos do vídeo são de André F. Jarschel.
O tema faz parte do álbum "100% Charlie Brown Jr. - Abalando a sua Fábrica" de 2001.
Um tema que me deixa sempre com um sorriso nos lábios.

"100% Charlie Brown Jr. -  Abalando a sua Fábrica" (2001)


Peste & Sida - "Vamos ao Trabalho"



Por causa da música do post anterior, lembrei-me desta dos Peste! E parece-me que vem a calhar, agora que Vítor Gaspar falou do desemprego daquela forma marcante! Cada vez mais, o Ministro das Finanças assume o papel de um Mr. Bean obscuro, como se fosse a face negra de uma anedota que toda a gente sabe reconhecer. E para que tudo fique mais simétrico, o "Vamos ao Trabalho" talvez se pudesse transformar em "Vamos ao Desemprego".
Tema que faz parte do álbum "Peste & Sida é que é!" de 1990.

Peste & Sida - "Peste & Sida é que é!" (1990)


sexta-feira, 15 de março de 2013

Ena Pá 2000 - "Vão para o caralho"



É tão bom chegar a casa vindo do trabalho, e saber que através de uma convocação relâmpago, hoje há Manifestação! Em Portugal não há o costume das coisas acontecerem assim! Finalmente, pá! É assim mesmo, miúdos e miúdas! É deste tipo de acções que necessitamos, mas necessitamos delas mais vezes! Como estive a produzir chocolate o dia todo, e ainda não tomei banho de modo a conseguir publicar este post antes das 19h, tenho um cheiro, digamos..., achocolatado. E é com toda a doçura que mando este Governo para o c......!
Adoro a doçura dos Ena Pá 2000! Doce que pertence ao álbum "2001 Odisseia no Chaço" de 1999.
Como deixei de conseguir publicar vídeos através da forma que sempre utilizei (carregando no ícone do blogger), tive que recorrer ao HTML, que pelos vistos, me salvou!

Ena Pá 2000 - "2001 Odisseia no Chaço" (1999)
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15 de Março de 2013, às 19h

15 de Março de 2013, às 19h
 FAÇAM OUVIR A VOSSA VOZ, SE ASSIM VOS APETECER!
beijos & abraços!

sábado, 9 de março de 2013

João Rocha (1930-2013)


Morreu ontem João Rocha. Antigo Presidente do meu Sporting.
Quando comecei a ir à bola com o meu tio e o meu primo, ainda apanhei a última fase de João Rocha como Presidente. Caramba, com isto revelo que já não sou nada novo... João Rocha Presidiu o Sporting durante 13 anos, de 1973 a 1986. Eu devo ter começado a ir aos jogos do Sporting lá para 83 ou 84... ainda era uma criança levada pela mão do meu tio e do meu primo. Curiosamente, apanhei em cheio toda a fase de jejum que tivemos de aguentar durante 18 anos. Mesmo assim, fui e sou cada vez mais Sportinguista! Cresci a sofrer com o meu Sporting, mas a magia daquelas listas verde & brancas só é explicável para quem sente o Clube como nós sentimos.


No que ao futebol diz respeito, durante a sua Presidência, a equipa sénior do Sporting ganhou três Campeonatos Nacionais, três Taças de Portugal e uma Supertaça.

Manuel Fernandes & João Rocha (1982)

Na foto acima, vemos o capitão Manuel Fernandes e João Rocha, na cerimónia de atribuição das faixas de Campeão da época 81/82.
Sobre o Presidente desaparecido ontem, Manuel Fernandes disse o seguinte:
"Foi um Presidente muito especial, foi ele que me contratou e sempre demonstrou um sportinguismo que só os grandes sportinguistas podem ter"


Mas não foi só no futebol que João Rocha teve sucesso à frente do Sporting. O ecletismo do Clube foi bem visível durante a sua Presidência. Aliás, o ecletismo do nosso Clube sempre foi bem visível, e essa é uma das nossas diferenças em relação aos demais. Contudo, não posso deixar de realçar uma modalidade que eu adoro e que vi afastada da ribalta leonina nos últimos anos. Trata-se, evidentemente, do hóquei em patins! Modalidade com a qual o Sporting conquistou a Taça dos Clubes Campeões Europeus em 1977 (tinha eu apenas 1 ano...).

Júlio Rendeiro & João Rocha (1977)
Na foto acima vemos Júlio Rendeiro e João Rocha com a Taça dos Clubes Campeões Europeus em hóquei em patins.


Agora que o nosso Clube vive dificuldades financeiras e desportivas muito preocupantes, convém lembrar referências positivas para que sirvam de inspiração ao futuro do nosso Clube.

VIVA O SPORTING!

quinta-feira, 7 de março de 2013

Birds are Indie - "Yellow Leaf"



Tema que faz parte do álbum "How music fits our silence" de 2012.

Birds are Indie - "How music fits our silence" (2012)
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"Tudo é muito mais perturbante porque se faz acompanhar de sinais que não permitem situar este tempo fora da realidade a que pertence, e assim fazendo nos impedem de viver com ele na distância tranquilizadora que há entre nós e os nossos sonhos. Se pudéssemos remeter esta imagem para a penumbra das intuições, ouvir estas vozes para lá do filtro da racionalidade, ao longe, fora do mundo. Mas as raparigas levam permanentes e calças justas, sentam-se homens na berma a ouvir os relatos com o transístor colado ao ouvido, alguém canta uma cançoneta da rádio, passa alguém de motorizada a entregar sandes de chouriço e cervejas, é mesmo verdade, é irremovivelmente real. Estas pessoas também se beijam e pintam os olhos, andam de avião, possuem arcas frigoríficas, dançam nas discotecas e alugam vídeos. Nada nelas nos concede a descolagem apaziguadora que nos transportasse a uma dimensão suspensa. Os peregrinos põem as mãos nos rins, acenam, continuam a andar."
 Clara Pinto Correia, "Canções das Crianças Mortas".

quarta-feira, 6 de março de 2013

Hugo Chávez (1954-2013)


Morreu Hugo Chávez vítima de cancro. Ontem quando soube da notícia, ainda tive um impulso imediato para escrever algo acerca desta personagem. Mas o cansaço e o embrutecimento próprios de um Ser ridículo como eu, felizmente impediram a concretização de tal impulso. Contudo, lembrei-me de um texto, um excelente texto, escrito nas vésperas das Eleições Presidenciais Venezuelanas em Outubro,  por Ignacio Ramonet e Jean-Luc Mélenchon. Como estas lembranças de textos brilhantes costumam ser colectivas, foi fácil descobrir o texto para prontamente o transcrever aqui no meu modesto Blog. Atenção, que eu nunca fui dado a cultos de personalidade ou algo que o valha! E continuo igual, para bem da minha sanidade mental (que é pouca). Isso não me impede de ver neste Homem uma afronta aos poderes financeiros instituídos nesta globalização que se se quer amorfa em termos políticos contrários! Como diz o texto que de seguida podem ler, "A Venezuela bolivariana é uma fonte de inspiração da qual nos nutrimos, sem fechar os olhos e sem inocência". É isso, a Esquerda nunca pode perder o sentido crítico do que não está bem, o Poder não pode embriagar em demasia, para não se correr o risco de se desvirtuar a força que leva à transformação!
                                                                                                                                               


O porquê do ódio a Chávez

Um líder político deve ser valorizado pelos seus actos, não por rumores veiculados contra ele. Os candidatos fazem promessas para ser eleitos: poucos são aqueles que, uma vez no poder, cumprem tais promessas. Desde o início, a proposta eleitoral de Chávez foi muito clara: trabalhar em benefício dos pobres, ou seja – naquele momento – a maioria dos venezuelanos. E cumpriu sua palavra.
Por isso, este é o momento de recordar o que está verdadeiramente em jogo nesta eleição, agora que o povo venezuelano é convocado a votar. A Venezuela é um país muito rico, pelos fabulosos tesouros de seu subsolo, em particular o petróleo. Mas quase toda essa riqueza estava nas mãos da elite política e das empresas transnacionais. Até 1999, o povo só recebia migalhas. Os governos que se alternavam, social-democratas ou democrata-cristãos, corruptos e submetidos aos mercados, privatizavam indiscriminadamente. Mais de metade dos venezuelanos vivia abaixo da linha de pobreza (70,8% em 1996).
Chávez fez a vontade política prevalecer. Domesticou os mercados, deteve a ofensiva neoliberal e posteriormente, graças ao envolvimento popular, fez o Estado se reapropriar dos sectores estratégicos da economia. Recuperou a soberania nacional. E com ela, avançou na redistribuição da riqueza, a favor dos serviços públicos e dos esquecidos. Políticas sociais, investimento público, nacionalizações, reforma agrária, quase pleno-emprego, salário mínimo, imperativos ecológicos, acesso à moradia, direito à saúde, à educação, à aposentadoria… Chávez também se dedicou à construção de um Estado moderno. Colocou em marcha uma ambiciosa política de planeamento do uso do território: estradas, ferrovias, portos, represas, gasodutos, oleodutos.
Na política externa, apostou na integração latino-americana e privilegiou os eixos sul-sul, ao mesmo tempo que impunha aos Estados Unidos uma relação baseada no respeito mútuo… O impulso da Venezuela desencadeou uma verdadeira onda de revoluções progressistas na América Latina, convertendo este continente num exemplo de resistência das esquerdas frente aos estragos causados pelo neoliberalismo.
Tal furacão de mudanças inverteu as estruturas tradicionais do poder e trouxe a refundação de uma sociedade que até então havia sido hierárquica, vertical e elitista. Isso só podia desencadear o ódio das classes dominantes, convencidas de serem donas legítimas do país. São essas classes burguesas que, com os seus amigos protectores e Washington, vivem financiando as grandes campanhas de difamação contra Chávez. Até chegaram a organizar – junto com os grandes meios de comunicação que lhes pertencem – um golpe de Estado, a 11 de Abril de 2002.
Estas campanhas continuam hoje em dia e certos sectores políticos e mediáticos encarregam-se de fazer coro com elas. Assumindo – lamentavelmente – a repetição de pontos de vista como se isto demonstrasse que estão correctos, e as mentes simples acabam por acreditar que Hugo Chávez está a implantar um “regime ditatorial no qual não há liberdade de expressão”.
Mas os factos são teimosos. Alguém viu um “regime ditatorial” estender os limites da democracia em vez de restringi-los? E conceder o direito de voto a milhões de pessoas até então excluídas? As eleições na Venezuela só aconteciam a cada quatro anos, Chávez organizou mais de uma por ano (catorze, em treze anos), em condições de legalidade democrática, reconhecidas pela ONU, pela União Europeia, pela OEA, pelo Centro Carter, etc. Chávez demonstrou que é possível construir o socialismo em liberdade e democracia. E ainda converte esse carácter democrático numa condição para o processo de transformação social. Chávez provou o seu respeito à vontade do povo, abandonando uma reforma constitucional rejeitada pelos eleitores num referendo em 2007. Não é por acaso que a Fundação para o Avanço Democrático [Foundation for Democratic Advancement] (FDA), do Canadá, num estudo publicado em 2011, colocou a Venezuela em primeiro lugar na lista dos países que respeitam a justiça eleitoral.
O governo de Hugo Chávez dedica 43,2% do orçamento a políticas sociais. Resultado: a taxa de mortalidade infantil caiu pela metade. O analfabetismo foi erradicado. O número de professores, multiplicado por cinco (de 65 mil para 350 mil). O país apresenta o maior coeficiente de Gini (que mede a desigualdade) da América Latina. Num relatório de Janeiro de 2012, a Comissão Económica para América Latina e Caribe (Cepal, uma agência da ONU) estabelece que a Venezuela é o país sul americano que alcançou (junto com o Equador), entre 1996 e 2010, a maior redução da taxa de pobreza. Finalmente, o instituto norte americano de pesquisa Gallup coloca o país de Hugo Chávez como a sexta nação “mais feliz do mundo”.
O mais escandaloso, na actual campanha difamatória, é a pretensão de que a liberdade de expressão esteja restrita na Venezuela. A verdade é que o sector privado, contrário a Chávez, controla amplamente os meios de comunicação. Qualquer um pode comprovar isso. De 111 canais de televisão, 61 são privados, 37 comunitários e 13 públicos. Com a particularidade de que a parte da audiência dos canais públicos não passa de 5,4%, enquanto a dos canais privados supera 61%… O mesmo cenário repete-se nos meios radiofónicos. E 80% da imprensa escrita está nas mãos da oposição, sendo que os jornais diários mais influentes – El Universal e El Nacional – são abertamente contrários ao governo.
Nada é perfeito, naturalmente, na Venezuela bolivariana – e onde existe um regime perfeito? Mas nada justifica essas campanhas de mentiras e ódio. A nova Venezuela é a ponta da lança da onda democrática que, na América Latina, varreu os regimes oligárquicos de nove países, logo depois da queda do Muro de Berlim, quando alguns previram o “fim da história” e o “choque de civilizações” como únicos horizontes para a humanidade.
A Venezuela bolivariana é uma fonte de inspiração da qual nos nutrimos, sem fechar os olhos e sem inocência. Com orgulho, no entanto, de estar do lado bom da barricada e de reservar os nossos ataques ao poder imperial dos Estados Unidos, aos seus aliados do Médio Oriente, tão firmemente protegidos, e a qualquer situação onde reinem o dinheiro e os privilégios. Porque Chávez desperta tanto rancor em seus adversários? Sem dúvida, porque, assim como fez Bolívar, soube emancipar o seu povo da resignação. E abrir o apetite pelo impossível.
Texto de Ignacio Ramonet e Jean-Luc Mélenchon.
Tradução de Daniela Frabasile.

Como o português da tradução não era o mais correcto, tomei a liberdade de o emendar em algumas frases. Essa emenda apenas foi feita por mim a 07-03-2013 às 16:10, pedindo, ainda assim, desculpa por uma tradução da qual não sou responsável. Agora, o excelente texto de Ramonet e Mélenchon já pode ser lido num português mais aceitável.  

sábado, 2 de março de 2013

The Doors - "Five To One"



Tema que faz parte do álbum "Waiting for the Sun" de 1968.
Faltam poucos minutos para me juntar a esta enooorme Manifestação que se realiza hoje!
Já me custa estar aqui em frente ao computador, mas queria publicar neste dia!
A Rua vai ser uma imensidão só nossa!